22 de dezembro de 2014

A nova era da contabilidade brasileira

  “Hoje, todas as empresas no Brasil são obrigadas a utilizar as IFRS, sejam empresas pequenas ou as gigantes da BOVESPA”.

 

Eduardo Baldoino é Gerente técnico Adjunto no IASB (Conselho Internacional de Normas contábeis), contador e mestre em contabilidade E-mail: ebaldoino@ifrs.org

 

 

Dizer “Contabilidade internacional” no Brasil pode parecer algo longínguo. Nem parece que hoje a contabilidade no Brasil é a mesma adotada por 114 países do mundo e permitida por outros 12. O uso das normas internacionais cresce na China e no Japão e atualmente apenas os Estados Unidos resiste ao seu uso interno, apesar de já permitir que empresas estrangeiras (brasileiras, por exemplo) as utilizem em seu mercado de ações.

As IFRS (Normas Internacionais de Reporte Financeiro) são as normas emitidas pelo IASB (Conselho Internacional de Normas Contábeis), com sede em Londres. O CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) é o órgão brasileiro responsável por sua tradução e validação no Brasil. Um dos membros do CPC é o CFC (Conselho Federal de Contabilidade) e consequentemente as normas técnicas do CFC também estão de acordo com as normas internacionais.

Hoje, todas as empresas no Brasil são obrigadas a utilizar as IFRS, sejam empresas pequenas ou as gigantes da BOVESPA. Porém, a contabilidade tributária ainda não convergiu com a contabilidade internacional (vou abordar os dois assuntos deste parágrafo em artigos futuros).

Essa contabilidade internacional possui uma conotação muito mais gerencial do que a contabilidade tributária e seu único objetivo é refl etir a realidade do negócio, e não calcular impostos. A utilidade das IFRS vai além da ‘antiga’ contabilidade e o contador agora precisa assumir um papel diferente, muito mais envolvido no negócio. Não é mais possível fazer a contabilidade de uma empresa através de documentos ou arquivos eletrônicos, é preciso entender o negócio, como ele funciona, como gera dinheiro, como o gasta e sobre que realidades econômicas o negócio atua. 

Uma empresa multinacional recentemente comentou sobre uma revisão da norma internacional de receitas de vendas feita pelo IASB1 , afi rmando que ao examinar a nova norma obteve uma perspectiva diferente sobre o seu próprio negócio. A norma contábil efetivamente alterou ou contribuiu para alterar a forma como a própria empresa mensurava a lucratividade de seus produtos. Essa não é uma consequência comum nem o objetivo de uma norma contábil, mas serve como exemplo para mostrar o quão focado no negócio são as IFRS.

Um conjunto novo de atributos é exigido dos contadores brasileiros pois a grande diferença que a contabilidade internacional trouxe foi a necessidade do exercício do julgamento. Ao comprar uma máquina não será mais sufi ciente receber apenas a nota fi scal. O contador precisará entender para que função a máquina foi comprada, por quanto tempo pretende- -se usá-la, se haverão custos para instalar a máquina e como ela será usada. Esse é apenas um simples exemplo (abordarei o exercício do julgamento em um dos próximos artigos).

Atualmente o Brasil é internacional em contabilidade. A nova era já é uma realidade, a economia só tem a ganhar e os contadores têm muito trabalho pela frente.