24 de janeiro de 2015

Perspectivas para o Amazonas em 2015

  “A ZFM está dependendo de um novo projeto de desenvolvimento do governo federal para a Amazônia e de uma nova SUFRAMA.”.

 

José Ricardo Wendling é economista e deputado estadual pelo PT

E-mail: deputado.josericardo@aleam.gov.br

 

 

O ano de 2015 começa com novos mandatos dos governos federal e estadual. Os governantes são os mesmos, mas a esperança é que implementem programas e investimentos que alavanquem o desenvolvimento do Amazonas.
Quais são as propostas para a Zona Franca de Manaus-ZFM e para a Região Metropolitana de Manaus? Quais serão os investimentos em Ciência e Tecnologia e no Centro de Biotecnologia da Amazônia? O turismo será prioridade e o Amazonas vai produzir os principais alimentos que o povo necessita consumir? São alguns temas relevantes e que merecem destaque e prioridades, apesar do cenário macroeconômico nacional não ser dos melhores.

A ZFM está dependendo de um novo projeto de desenvolvimento do governo federal para a Amazônia e de uma nova Suframa. Com mais 50 anos pela frente , é hora de um novo planejamento e definição de prioridades para a ZFM. O Polo Industrial de Manaus (PIM) não pode continuar restrito a 600 empresas industriais e o setor comercial local. Aqui precisaríamos de no mínimo 5.000 empresas, fortalecendo as cadeias produtivas e gerando muito mais empregos. Para isto precisamos de uma nova Suframa, com estrutura adequada, corpo funcional consolidado, recursos financeiros para interiorizar os seus projetos.

Em termos espaciais e logísticos, a Região Metropolitana de Manaus, com ligações entre seus municípios por estradas e a Ponte Rio Negro, tem grandes perspectivas de crescimento. É o espaço dos novos negócios. O setor imobiliário já está em franca ascensão. Em termos sociais, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, publicado pelo IPEA em 2014, a RM de Manaus passou de um Índice de Desenvolvimento Humano-IDH de 0,585 em 2000, para 0,720 em 2010, passando para uma faixa de alto desenvolvimento humano. Significa mais qualidade de vida e potencial de melhor de mão de obra disponível. Mesmo assim, há deficiências no atendimento nas áreas de saúde, educação e segurança, grandes demandas da população mais pobre, e que dependem de intervenção direta dos governos locais.

Os investimentos em Ciência e Tecnologia ainda estão aquém do tamanho do Amazonas. É hora do Governo Federal priorizar a alocação dos recursos que viabilizem o Centro de Biotecnologia da Amazônia-CBA. É lamentável que depois de 13 anos, a entidade ainda não exista juridicamente.

Mas o Governo do Estado também precisa ampliar os recursos para C&T. Em 2010, tinha no orçamento R$ 72 milhões, mas só investiu R$ 48 milhões. Em 2013, tinha R$ 103 milhões no orçamento, mas somente R$ 76 milhões foram investidos. Para 2014, a previsão foi de R$ 120 milhões e para 2015 está estimado em R$ 125 milhões. É pouco, representa apenas 0,81% do orçamento geral.

A sociedade civil está com o tema da Biodiversidade na pauta de discussão no Fórum Social da Biodiversidade que acontece em Manaus. A grande questão é como utilizar toda essa riqueza da biodiversidade amazônica, transformá-la em benefícios econômicos e sociais, mas com sustentabilidade. Uma das atividades que se mostra promissora no Amazonas é o Turismo. O relatório da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), publicado em 2014, traça um quadro do turismo no Amazonas, os potenciais no interior do Estado, os investimentos já realizados e propostas até 2018. Nos indicadores mostram que o número de turistas aumentou de 283 mil em 2003 para 957 mil em 2013. Foram cerca de 6 milhões de turistas em 10 anos. O potencial na verdade é gigantesco.

A produção de alimentos para consumo local e para vendas externas precisa estar na prioridade dos governos. A produção local é pequena. A importação de outros estados e do exterior é grande de pescado, farinha de mandioca, fécula de mandioca, legumes, carne, feijão, arroz,até algumas hortaliças. A estimativa é que 65% dos alimentos consumidos são importados. O Amazonas, com tão grande extensão de terras, comporta um vazio produtivo.

Esses são alguns desafios para os governos e para o setor empresarial, que pode ampliar suas oportunidades de negócios em 2015, que esperamos ser bons para todos.