11 de junho de 2015

Brasil busca novos negócios em Bruxelas

Com o objetivo de sair da crise, a presidente Dilma Rousseff deve aproveitar a ida em Bruxelas para tentar reforçar a agenda positiva do governo e buscar novos acordos comerciais

 

A presidente participou essa semana da Celac (cúpula da União Europeia, que reúne países da América Latina e do Caribe). De acordo com especialistas, a crise econômica está obrigando o governo a expandir seus negócios. Por esse motivo, o Brasil está em busca de uma política comercial mais agressiva com outros países. A expectativa na Europa é de que as negociações avancem para o tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (que se arrasta desde 2010, com forte resistência da Argentina).

Focado para empresas de alto crescimento (aquelas que aumentaram em pelo menos 20% ao ano o número de empregados, por um período de três anos consecutivos), o objetivo do Sebrae é atingir mil negócios com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões em 2015. A lista de regiões que receberão o programa não está fechada, mas muito provavelmente contemplará São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A rede alemã Deutsche Welle, entrevistou a presidente Dilma, que afirmou que em Bruxelas, os países do Mercosul devem marcar o prazo para entregar suas ofertas do acordo. “Do ponto de vista do Mercosul, principalmente do ponto de vista do Brasil, é prioritário, neste ano de 2015, que a gente chegue a esse acordo”, disse. Dilma comentou sobre a possibilidade de fazer um acordo com “ritmos diferenciados”, ou seja, o Brasil e outros países iniciariam a negociação sem a Argentina, que poderia aderir depois.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse em seu discurso, que a presidente deve dizer que o Brasil está pronto para a troca de ofertas com a UE. Em reuniões bilaterais com líderes europeus, Dilma deve pedir que isso seja feita até julho. “Seria ideal a Argentina aceitar, mas se não quiserem aceitar, ou vem ou vai ficar”, disse a ministra. A preferência do governo, no entanto, é fazer a negociação incluindo a Argentina. “Mas é uma grande mudança, a crise forçou o governo a repensar a estratégia dos últimos 12 anos”, declara Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo. “Antigamente, o Brasil tinha uma postura rigorosa de fazer acordos multilaterais. Agora está se abrindo mais para a possibilidade de acordo bilaterais.”

Otimismo

De acordo com especialistas, a viagem da presidente vai servir também para anunciar medidas que possam melhorar a imagem do governo. “Essas viagens integram a agenda positiva, tentam tirar o foco da questão interna – inflação alta, desemprego – e jogar nas viagens, que sempre trazem notícias positivas, como convênios”, afirma o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-RJ. Dilma embarcou para a Europa no mesmo dia em que o governo lança um pacote de concessões privadas que também integra a “agenda positiva” – e para o qual precisa atrair investidores.

“A Lava Jato vai abrir muitas oportunidades na área de infraestrutura e construção civil, porque algumas construtoras não vão aguentar. Falta saber se os investidores estrangeiros já vão se sentir seguros a ponto de ir para o Brasil”, delcara o cientista político Fernando Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150609_dilma_bruxelas_lab_rm