10 de março de 2017

Capital argentino é 22º do ranking de investimentos no PIM

Vizinha do Brasil, a Argentina tem uma participação relativamente tímida em termos de investimento no Polo Industrial de Manaus (PIM). Os ‘hermanos’ são apenas o 22º país no ranking de participação dos investimentos líquidos nas empresas incentivadas da indústria amazonense.

 

Conforme os dados mais recentes da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), são três os setores onde o investimento argentino está presente na Zona Franca brasileira: Metalúrgico, Químico e Eletroeletrônico.

 

Nos últimos anos, as companhias vizinhas têm diminuído gradativamente o aporte no setor industrial do Amazonas, chegando ao nível mais baixo em 2015, quando foram alocados US$ 10.4 milhões no PIM.

 

Conforme o gráfico mostra, os argentinos haviam investido US$ 2.3 bilhões em 2008, ano em que a maior crise da economia mundial desde a década de 1930 estava tomando forma. Dois anos depois, esses valores despencaram para ‘meros’ US$ 200 mil, uma incrível queda de 91%.

 

A exemplo do Brasil, a Argentina sofreu bastante em termos econômicos nos últimos anos, durante o fim da era Kirchner. No ano passado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a União Industrial Argentina (UIA) assinaram uma declaração para criação do Conselho Empresarial Brasil-Argentina. O acordo foi assinado durante uma missão empresarial da CNI a Buenos Aires.

 

Segundo a Asociación Mercosur de Normalización, o Conselho foi criado para ampliar e fortalecer a integração econômica entre os dois países. Com o acordo, os setores industriais de Brasil e Argentina poderão trocar informações sobre políticas industriais e comerciais, identificar oportunidades de comércio e investimentos, articular a defesa de interesses dos setores junto aos governos, além de atuar em conjunto no âmbito do Mercosul.

 

A Argentina foi o terceiro principal parceiro comercial brasileiro, atrás da China e dos Estados Unidos, com participação de 7% na corrente de comércio do Brasil em 2016. Para lá, o Brasil envia principalmente automóveis, máquinas mecânicas, plásticos, máquinas elétricas e ferro.

 

Empresas

 

Hoje, três empresas com capital argentino estão ativas no Polo Industrial de Manaus. No segmento metalúrgico, a Envases da Amazônia Indústria de Embalagens Metálicas começou a produção na capital amazonense em junho de 2013. O subsetor metalúrgico faturou US$ 1.2 bilhão em 2015 e, a exemplo dos investimentos argentinos, também vêm apresentando perdas nos últimos anos. Para comparar, o subsetor faturou US$ 1.7 bilhão em 2014 e US$ 1.8 bilhão em 2013.

 

Outra empresa com capital argentino é a Natural Sabores Indústria e Comércio de Concentrados, do setor químico. A companhia atua na área de preparados químicos em geral e foi fundada em 2009. O segmento químico é um dos mais importantes do PIM e faturou US$ 11 bilhões em 2015, valor estável em relação ao ano de 2014.

 

A maior empresa instalada em Manaus e que conta com capital argentino é a Elsys Equipamentos Eletrônicos, do subsetor Eletroeletrônico e que atua no mercado brasileiro há mais de 20 anos. Na capital amazonense, a empresa inaugurou sua fábrica em 1992 e, em 1995, começou a produzir produtos acabados, fabricando set top box para Sky e Net, atuantes no segmento de TV por assinatura.

 

A Elsys tem, em sua carteira de clientes, gigantes como a Oi, Embratel, Whirlpool, Sony, entre outros. A companhia tem, além da fábrica de Manaus, um escritório na China e a sede em São Paulo.

 

 Argentina é um dos principais parceiros políticos e econômicos do Brasil

Conforme dados do Itamaraty, as relações bilaterais são estratégicas para a inserção do Brasil na região e no mundo. A construção de uma relação política de confiança e cooperação com a Argentina contribui para a constituição de um espaço regional de paz e de cooperação. Somadas, as capacidades de Brasil e Argentina representam cerca de dois terços do território, da população e do PIB da América do Sul.

O processo de aproximação política entre Brasil e Argentina, iniciado com a redemocratização dos dois países na década de 1980, esteve na base do projeto de integração sul-americana que levou à criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 1991. O Ministério das Relações Exteriores indica que a manutenção e o estreitamento das relações com a Argentina são de fundamental importância para a estratégia brasileira de promover o fortalecimento econômico e político da América do Sul, visando ao estabelecimento da região como um dos polos de um sistema mundial multipolar.

O Itamaraty informa também que entre 2003 e 2015, a corrente de comércio bilateral elevou-se de US$ 9,24 bilhões para US$ 23,09 bilhões, um crescimento de 150%. No período, as exportações brasileiras para a Argentina cresceram de US$ 4,56 bilhões para US$ 12,8 bilhões, incremento de 181%. Em 2015, a Argentina ocupou o terceiro lugar no destino das exportações brasileiras.