24 de abril de 2017

Crise não assusta setor de cabotagem

O mercado da cabotagem se afirma como melhor alternativa de modal, fechando o ano de 2016 no azul. Além disso, o setor vê na crise econômica brasileira, grandes possibilidades de crescimento e de expansão no mercado.

Um exemplo disso é a empresa Mercosul Line, subsidiária do grupo Maersk, um dos maiores armadores de cabotagem do Brasil. “Fechamos o ano de 2016 positivamente e 2017 tende a seguir o mesmo caminho para a nossa companhia, já que fizemos investimentos milionários como a chegada do quarto navio da companhia: o Mercosul Itajaí -, ganhando assim, um número maior de players no transporte de cabotagem no Brasil”, comemorou a diretora comercial da empresa, Viviane Rodrigues.

Além dos investimentos aplicados pela Mercosul Line dentro do País, a companhia também opera no mercado de armadores de longo curso no eixo: Brasil – Argentina, além de focar em um horizonte de crescimento e de competitividade.

“Para a indústria de cabotagem, os chamados ‘anos de crise’ costumam ser bem positivos, uma vez que a cabotagem é um meio de transporte bastante competitivo e o mercado costuma ter uma maior disposição para a mudança de novas formas de serviços. Ou seja, elas precisam pensar em outras formas de fazer o transporte de cargas, mas de uma maneira mais competitiva e mais barata”, analisou a executiva.

Vantagens

As vantagens são muitas e a cabotagem vem crescendo nos últimos anos no Brasil. Ele é visto como uma alternativa para que as empresas possam economizar, além de ser o modal com maior eficiência geoeconômica, eficiência ambiental e com o menor índice de avarias e roubos. Por isso, esse meio de transporte marítimo acaba se sobressaindo, já que as indústrias são forçadas a cortar custos.

Um exemplo disso, apontado pela Mercosul Line foi o investimento e entrega do “Mercosul Itajaí”, um navio com 198 metros e 2,5 mil TEU (é a unidade correspondente a um contêiner de 20 pés). O investimento, segundo informou a companhia, vem após mais de dois anos de estudos para ampliar a frota da Mercosul Line no Brasil.

O diretor-superintendente da Mercosul Line, Roberto Rodrigues, disse que houve um investimento grande em estudos e esforços para melhorar os serviços aos clientes brasileiros. Por isso, decidiram investir em um novo navio com bandeira do País, permitindo a criação de uma segunda rota e acrescentando cinco novos portos ao nosso repertório de serviços. “Assim, oferecemos aos clientes, a oportunidade de transportar mercadorias entre Santos e Suape pela metade do tempo”, afirmou o gestor, explicando que a redução da viagem entre os dois portos citados passou de oito para quatro dias.

Potencial de conversão

Pressionadas pela crise econômica que insiste em bater na porta da frente, as indústrias acabam sendo obrigadas a investir em novas saídas para reduzir custos. Então, a cabotagem surge como a tábua de salvação dando vazão ao mercado e abrindo novas oportunidades de escoamento das mercadorias.

“É nesse momento que temos um grande potencial de conversão de cargas das indústrias que ainda não utilizam a cabotagem como um modal frequente. Com isso, visualizamos um mercado bem amplo no horizonte. Esse foi o nosso foco em 2016 e continuará sendo em 2017”, ressaltou Viviane Rodrigues.

Segundo a executiva, estatísticas apontam que 90% da carga de conversão do transporte realizado atualmente no Brasil é feito por meio do transporte rodoviário, o que significa dizer que ainda existe um potencial muito grande de conversão (mudança de cultura do transporte de carga) no setor.

Viviane destaca ainda que em anos de crise, a cabotagem não sofre o impacto da economia. Ao contrário, as companhias do setor acabam tendo um desempenho melhor e mais positivo do que em outros períodos, em termos de volume.

Manaus é maior porto de toda a Costa Brasileira

 

Em função do Polo Industrial de Manaus (PIM), a cabotagem se tornou estratégica primordial para as empresas de navegação, especialmente, para as de cabotagem em Manaus e no Brasil.

 

O gerente geral da empresa Super Terminais, Bruno Wascow, explicou que graças aos incentivos da região, a qual possui grandes indústrias, Manaus se tornou o maior mercado entre todos os portos da Costa Brasileira até Buenos Aires. “Ou seja, nenhum outro porto que opera na região oferece a mesma estrutura que a nossa empresa”.

 

O Super Terminais é um terminal portuário com 20 anos de experiência e que atua tanto no longo curso (transporte marítimo entre países) quanto na cabotagem (transporte feito dentro do mesmo país). “Eu diria que o nosso porto (Super Terminais) é parte integrante do dia a dia do Polo Industrial de Manaus que hoje representa o 6º Maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil”, destacou Wascow.

 

A movimentação atual do porto Super Terminais é de 200 mil TEUS por ano na cabotagem e no Longo Curso é de 130 mil TEUS/ ano. Os maiores clientes no longo do curso são: Mitsui, MSC e a Maersk e na cabotagem Mercosul e Login – que juntas possuem 60% do mercado nacional.

 

O gerente também informou que a cabotagem é estratégica para as empresas de navegação especialmente para as de cabotagem, pois devido aos incentivos da região, possui grandes indústrias e com isso, tornou-se o maior mercado entre todos os Portos da Costa Brasileira até Buenos Aires, ou seja, nenhum outro porto oferece aos armadores mais movimentos que Manaus na cabotagem (em média 400-500mil contêiners/ano – Cheio e Vazio).

 

Entre os clientes da Super Terminais estão os segmentos: eletro/ eletrônicos, duas rodas, resinas, bens de consumo, congelados e aço. Dentre as principais vantagens na utilização desse modal, o gestor destacou que o frete sai em torno de 20% a 25% mais barato, sendo muito mais seguro e dispensando a escolta. Além disso, é o que proporciona menos avarias, menos riscos de roubo quando comparado com caminhões que pegam balsas no trecho até Belém e depois rodam pelas principais estradas do País.

 

Outra vantagem apontada por Waskow está na oferta do serviço regular, pois toda semana acontecem duas saídas de Manaus, pelo menos. O gestor disse ainda que há o serviço porta a porta onde fazem o gerenciamento desde a coleta na planta até a entrega no destino final. Há também a vantagem do Transit time muito próximo do rodoviário (apenas três dias a mais em média). Um diferencial no serviço consiste na redução de CO2 (um exemplo disso é um avião cargueiro que emite até 50 vezes mais CO2 que um navio de containers, dada a mesma distância e o mesmo peso de carga).

 

Meio ambiente agradece

Com o atual estado precário das rodovias brasileiras, sem contar a falta de segurança e o alto valor do combustível que encarecem ainda mais o transporte rodoviário, isso sem falar nos milhares de metros cúbicos de gases poluentes de efeito estufa que são emitidos na atmosfera; o uso da cabotagem só traz benefícios para o meio ambiente, além de trazer economia, mais segurança e agilidade para o transporte das mercadorias.

Informações cedidas pela Mercosul Line dão conta de que a cabotagem emite três vezes menos CO2  por tonelada na atmosfera em comparação ao transporte ferroviário, e seis vezes menos CO2 do que o transporte rodoviário. Ou seja, o transporte via cabotagem agride bem menos a natureza e ao meio ambiente.

A parte essa melhoria em relação ao meio ambiente, o grupo Maersk ressalta que vem, ao longo dos anos, trabalhando na redução progressiva de CO2. O objetivo do grupo foi definido desde o tratado de 2010 que é de uma redução de 30% de emissão de gases poluentes até 2020.

Segundo a companhia, existe um comprometimento do grupo para com essa responsabilidade e com a questão ambiental. O grupo se vê como um forte apoiador na redução de gases de efeito estufa e faz investimentos muito pesados em infraestrutura e novas tecnologias, como foi o caso do novo navio (Mercosul Itajaí) construído com tecnologia menos poluente.

Apesar dos benefícios ecologicamente corretos e da maior segurança da cabotagem em comparação ao transporte rodoviário, o modal só terá sucesso efetivo se as empresas tiverem uma disposição para a mudança de cultura, conforme aponta Viviane Rodrigues.

“Você pode chamar o caminhão e ele vai até a sua fábrica todo o dia se você quiser, mas não tem navio todo dia no porto”, disse ela, destacando que. as indústrias precisam reorganizar a sua expedição para que ela se adapte ao modal da cabotagem. Rodrigues disse ainda que por isso é importante que a indústria esteja disposta, e é no momento de crise que normalmente, essa disposição surge e as empresas começam a rever esses conceitos e a serem flexíveis para pensar em novos projetos. “E é nesse momento de crise que a cabotagem consegue ter mais oportunidades”, pontuou.