26 de maio de 2015

Dilma tentará acordos com o México, a fim de reanimar a economia brasileira

Enfrentando uma recessão e uma crise com o Congresso, a presidente Dilma Rousseff viaja nesta semana ao México em busca de parcerias para reavivar a economia nacional.

 

Segundo diplomatas, Dilma pretende ampliar as exportações de produtos brasileiros para a segunda maior economia latino-americana e atrair mais investimentos mexicanos ao Brasil. A visita ocorre durante uma rara maratona diplomática da presidente: na semana passada, ela recebeu em Brasília líderes da China e do Uruguai, e no fim de junho viajará aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Barack Obama. A presidente chega à Cidade do México nesta segunda à noite e volta ao Brasil na quarta. Será a primeira visita de Estado de um líder brasileiro ao México desde 2007, embora nesse intervalo Dilma e o ex-presidente Lula tenham viajado ao país para encontros multilaterais. A viagem será ainda uma retribuição à visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ao Brasil após sua eleição, em 2012.

Poder mexicano

Segundo o governo brasileiro, o México é hoje o quarto maior investidor do Brasil, atrás da União Europeia, Estados Unidos e Japão. Empresas mexicanas já injetaram US$ 23 bilhões (R$ 71 bilhões) na economia brasileira. Carros e autopeças respondem por metade das transações entre os dois países, que somaram R$ 28 bilhões, em 2014. O embaixador do Brasil no México, Marcos Raposo Lopes, diz que os brasileiros ignoram estar cercados por produtos de empresas mexicanas em seu cotidiano. Ele lembra que a mexicana Mabe é dona das marcas de eletrodomésticos Bosch, Dako, Continental e GE. A Bimbo, gigante mexicana do setor alimentício, comercializa o pão Pullmann, e a Coca-Cola vendida no Brasil é engarrafada pela mexicana Femsa.

Também são mexicanas a fabricante de canos Amanco, as telefônicas Claro e Embratel (gerida pela América Móvil) e a rede de cinema Cinépolis. Apesar disso, diz o embaixador, “pergunte a um brasileiro se ele já teve contato com algum produto mexicano e ele provavelmente dirá que não.” “Brasileiros e mexicanos sabem muito pouco sobre o país do outro, e os estereótipos ainda predominam dos dois lados.”

Aliança entre Brasil e México

Já os investimentos brasileiros no México são mais tímidos e somam R$ 6 bilhões, embora estejam aumentando. A brasileira Braskem está construindo com a mexicana Idesa um polo petroquímico no Estado de Veracruz, e a Gerdau ergue um complexo siderúrgico em Hidalgo. Os dois investimentos totalizam R$ 17 bilhões. Em sua visita, Dilma deve assinar com o presidente Peña Nieto um acordo para facilitar investimentos entre os dois países. Será a terceira vez que o Brasil firma um acordo desse tipo (os países já contemplados são Angola e Moçambique). Outra prioridade de Dilma, diz o embaixador Marcos Raposo Lopes, será ampliar as exportações brasileiras para o México. Eventual acordo bilateral com o México dependeria de aval dos demais sócios do Brasil no Mercosul.

Segundo o governo, o comércio entre os dois países dobrou nos últimos dez anos e o México é hoje o décimo primeiro maior importador de produtos brasileiros. Carros e autopeças respondem por metade das transações, que somaram R$ 28 bilhões em 2014. O México tem saldo favorável de R$ 4,9 bilhões na relação. Dilma tentará reduzir barreiras a produtos brasileiros em outras áreas. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 80% dos setores industriais brasileiros defendem diminuir as tarifas comerciais entre os dois países. A organização cobra o governo a avançar nas negociações rumo a um acordo de livre comércio com o México. O acerto dependeria de um aval dos demais sócios do Brasil no Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela). O bloco já se comprometeu a negociar um acordo comercial amplo com o México no futuro.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150524_dilma_mexico_jf