13 de fevereiro de 2015

“Empresário investe olhando o amanhã”, aponta governador

Governador do Estado do Amazonas, José Melo, fala sobre cenário presente da ZFM e suas expectativas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Margarida Galvão

No momento que a Zona Franca de Manaus (ZFM) completa 48 anos de existência, o  Governo do Amazonas acena com a possibilidade de construir um porto para atender a demanda do Polo Industrial de Manaus (PIM) em Itacoatiara, cidade estratégica por estar próxima dos oceanos Atlântico e Pacífico. O governador José Melo estuda uma parceria público-privada no sentido de tirar esse projeto do papel que começa pela duplicação da estrada AM-010. Nesta entrevista exclusiva concedida à revista PIM Amazônia, José Melo fala sobre os benefícios propiciados pelo modelo de desenvolvimento na região e ao Brasil, bem como, projeções para os próximos anos. Leia a entrevista na íntegra.  

PIM Amazônia – Como o senhor avalia os 48 anos da ZFM? 

José Melo- José Melo – A Zona Franca foi uma grande bênção para nosso Estado. Ela como todo modelo teve seus percalços e pecados que ao longo do tempo foram sendo corrigidos, aprimorados e hoje não é só importante para o Amazonas e a região, mas muito  importante para o País. Se a ZFM não existisse estaríamos importando muitas coisas, desequilibrando a balança comercial. O modelo gera recursos não só para sustentar os  Estados da Amazônia, mas também para a União a fim de que possa investir em outros lugares. Hoje o Polo Industrial de Manaus (PIM) gera mais de 120 mil empregos diretos no Amazonas, tem um reflexo positivo no interior, possibilitando que se construíssem escolas, hospitais, asfaltassem vicinais, estradas, etc. Os recursos da ZFM permitiu levar para o interior o nível de melhoria da qualidade de vida que não seria possível se ela não existisse.

 RPIM – O que fazer para divulgar o modelo no exterior?

José Melo- A ZFM é um modelo que todo grande empresário conhece. Esse não é o problema. O problema hoje é o Custo Brasil, que a gente precisa internamente tomar medidas voltadas para reduzir nossos custos de logística, trabalhista, dos nossos portos que são inadequados. Somente dessa forma o Brasil pode competir com a China, Índia, com os emergentes, que são os nossos verdadeiros adversários nesse contexto. Portanto, não é uma coisa que depende do governador do Amazonas, depende do País como um todo a decisão de reduzir esses custos. Isso aí e mais a prorrogação dos incentivos fiscais da ZFM funcionará como ‘música’ para os empresários virem se instalar aqui.

RPIM – Em relação à questão de portos, seu governo projeta construir um porto público em Manaus? 

José Melo- Nós não temos como fazer um porto moderno em Manaus considerando as dificuldades que tem o Encontro das Águas. Defendo a duplica- ção da AM-010, Manaus- Itacoatiara, a fim de construir um porto moderno e eficiente naquele município para dar suporte ao crescimento natural que vem por aí. Se existe um Estado brasileiro que tem expectativa de crescer nos próximos dez anos, o Amazonas é um deles por conta da prorrogação dos incentivos fiscais da ZFM, que deu uma garantia de mais 50 anos de incentivos. Isso para o empresário é um ‘colírio nos olhos’. Se o Brasil realmente fizer o dever de casa, o Amazonas, no máximo em um ano, terá empresas vindo se instalar aqui. Empresário investe olhando em médio prazo, investe hoje olhando o amanhã. Se ele sabe que o País vai ter medidas concretas, estruturantes, que vai permitir o crescimento sustentável, ele investirá hoje, olhando daqui há cinco, seis anos.

RPIM – O senhor já tem algum projeto neste sentido?

José Melo-Já fiz contato com vários empresários no sentido de fazer uma parceria público-privada, dada à necessidade de fazer o porto em Itacoatiara. Se faz necessário duplicar aquela estrada e construir um porto moderno, conforme a lei permite; estou trabalhando neste sentido. Precisamos pensar no amanhã. Tenho certeza que vamos crescer pela mineração, piscicultura, fruticultura e também o Polo Industrial (PIM) pelos 50 anos que temos pela frente

 

RPIM – Governador, porque o Amazonas não gera renda com o turismo a exemplo do que aconteceu com a Costa Rica?

José Melo- Acho que os empresários americanos devem ter investido alguns milhões de dólares para transformar a Costa Rica num local atraente. O turismo é de fora para dentro. Temos aqui riquezas, maravilhosas, todo mundo sabe disso. A Copa propiciou condições para que o mundo todo visse que o Amazonas tem rios, lagos igarapés, florestas. No entanto, nenhum turista sai do seu país para vir para cá matar carapanã e pium; ele quer vir para ver uma árvore bonita, um rio bonito, peixe, etc., mas ao mesmo tempo ele quer um conforto. Como nós não temos esse conforto, ele não vem.

RPIM- O senhor acredita que essa realidade vai mudar pelo fato da Copa ter levado a região para o mundo ver?

José Melo- A minha confiança a partir de agora, com a Copa, é que o mundo, inclusive do dinheiro, que são os empresários de aviação e de turismo, tiveram condições de conhecer uma ‘outra Costa Rica’ muito maior e bela. Portanto, acredito que esses investidores se juntem e venham também construir aqui o que precisa ser construído com alguns milhões de dólares de estrutura a fim de que o turista possa vir aqui ter essa estrutura toda de apoio e ver o rio, o encontro das águas, peixe, etc.

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