25 de novembro de 2014

“Enquanto a indústria diminui, o setor comercial abre shoppings centers”, diz Ralph Assayag

 

O empresário do segmento do comércio e serviços e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL- Manaus),Ralph Assayag, avalia que com a prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM) o setor fabril local tem pela frente quase 60 anos para se organizar de maneira que possa vender diretamente ao comércio de Manaus e ‘arrumar’ o Distrito Industrial. Na opinião do dirigente, os grandes grupos nacionais e internacionais que formam o Polo Industrial de Manaus (PIM) têm força para tirar impostos de suas ‘costas’ quando estão de “barriga vazia”, então porque não convencem o setor público a arrumar seu espaço produtivo, ou então, não assumem esse compromisso. “As empresas poderiam tirar um percentual de seus ganhos, quando estão na bonança, e fazer isso de punho próprio”, disse. Nesta entrevista exclusiva à Revista PIM, o empresário fala ainda da situação do comércio e perspectivas das vendas do Fim de Ano, bem como, da econômica brasileira, cujo futuro depende dos novos governantes. “Os atuais não souberam fazer o ‘dever de casa’ como seria necessário”.

 

De que forma a indústria do PIM poderia vender diretamente aos lojistas?

Quando o Shopping Cecomiz foi criado a intenção era que cada fábrica do PIM tivesse um box lá dentro para atender do pequeno ao grande empresário. O comerciante poderia chegar lá e dizer que estava interessado em comprar televisão ao preço de fábrica para vender em sua loja. Hoje é preciso comprar uma emissão de cupom fiscal de um produto fabricado em Manaus para realizar a compra em São Paulo, porque não vende aqui. É esse tipo de coisa que não aceito. A ZFM teria que ter sua área comercial fazendo vendas para quem é comerciante. Se pegarmos o estatuto da Suframa está escrito que o modelo beneficiaria a indústria, o comércio, serviço e agricultura. Com exceção da indústria, o que ela faz pelo comércio e os demais setores? Nada. Quando digo isso, muitos amigos meus da indústria se chateiam, mas não posso deixar de falar, porque estou defendendo uma classe que produz hoje 55% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerado no Estado; que emprega 375 mil pessoas e que possui 46 mil lojas abertas. Enquanto a indústria do PIM está diminuindo, nós do setor comercial estamos abrindo shoppings centers com financiamento próprio. A indústria de duas rodas chega com o governo estadual e diz estar numa situação difícil, logo, de imediato, o governo do Estado corta impostos e reduz a alíquota da luz dela. Quando foi que qualquer governo fez isso com o comércio?

 

A indústria de duas rodas se queixa de estar passando dificuldades por conta dos financiamentos das motocicletas de baixa cilindrada. O senhor não acredita nessa versão?

A indústria sempre que dá uma ‘dor de barriga’ corre logo para o médico, que é o governo, que reduz a alíquota que incide sobre a energia elétrica. Nós do comércio, quando sentimos uma ‘dor de barriga’ morremos porque não tem quem nos socorra. Você não vê nenhum órgão do governo dizendo que irá reduzir a alíquota para sobrevivência dos comerciantes. A indústria do PIM vai ter que se balançar muito para ter o jogo de cintura que nós do comércio temos. As grandes multinacionais que estão no mercado não têm jogo de cintura algum para fazer as vendas, diferente do comercio, que a cada dia tem que pensar numa maneira diferente de vender, do contrário não conseguimos sobreviver no mercado.

 

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