21 de outubro de 2015

Há oito anos

Por Henrique Saunier

Com a imagem desgastada após uma das suas greves mais extensas (56 dias ao todo), a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) sofre, ainda, com outros desafios como gargalos logísticos, contingenciamento de recursos, falta de reestruturação da carreira de servidores e indefinição quanto a natureza jurídica do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Todos esses problemas são atuais e frequentemente discutidos, mas já haviam sido apontados pelo então coordenador geral de estudos socioeconômicos da autarquia, o economista doutor José Alberto da Costa Machado, em um ensaio que serviu como base para a elaboração do plano estratégico do órgão, há oito anos.

 Denominada “Um projeto estratégico do Brasil para Amazônia: fortalecer a política federal de desenvolvimento da Amazônia Ocidental e Amapá baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM) e seus efeitos regionais”, a versão inicial do documento, com 15 páginas, foi elaborada em meados de 2007, onde o economista aponta as principais falhas do modelo Zona Franca de Manaus, na forma de um minucioso diagnóstico e possíveis saídas para tais problemas. No processo de levantamento de informações para o texto, participaram a então superintendente Flávia Grosso, e diversos outros executivos da autarquia.

 Mas se há oito anos, todos esses problemas eram conhecidos, incluindo as sugestões para o fortalecimento do modelo Zona Franca, porque a autarquia está praticamente na mesma situação descrita naquela época pelo economista? Para Machado, pouco evoluiu porque a própria Suframa precisa reconhecer que está ‘doente’, para assim conseguir ‘se tratar’, algo que ele mesmo fala que não deve acontecer tão cedo.

 A impressão que dá ao conversar com o ‘pai’ do estudo é de que ele certamente já repetiu esse discurso incessantemente, apesar de não dizer com todas as letras – e talvez até por questões éticas – é perceptível o sentimento de “tentei avisar” que paira o economista, principalmente no que diz respeito ao período em que ele atuou na autarquia.  

 “Hoje eu não me sinto à vontade de elaborar uma opinião sobre o futuro (da Suframa). Na verdade, creio que chegamos a um ponto de difícil retorno. A primeira providência é entender que está doente e buscar qual a doença e isso ninguém vai fazer, pois ninguém vai admitir que nós temos nossa parte [de culpa].  Ninguém vai fazer esse mea culpa. E sem isso, não vai se resolver nada”, declarou um José Alberto com menos esperança do que aquele de oito anos atrás. 

 

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