29 de junho de 2015

Haitianos saem do Acre com destino a SP e Sul do País

Haitianos deixarão o Acre de forma planejada.

 

O Acre deve encaminhar centenas de haitianos para São Paulo e para algumas cidades do Sul nos próximos dois meses. Um acordo com o governo federal de nada mais, nada menos do que R$ 2 milhões destinado ao frete de 43 ônibus, que transportarão os imigrantes. Segundo a prefeitura de São Paulo, 23 ônibus vão seguir para esta cidade e 20 terão como destino os estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Acredita-se que 920 haitianos cheguem a São Paulo e 800 desembarquem no Sul. O secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Beto Vasconcelos, esclareceu que o deslocamento de haitianos vai acontecer de maneira programada. “Ajustamos que vai ser um fluxo alternado entre os estados e que será previamente acordado quando for deslocado algum ônibus. Isso deve ocorrer de uma maneira muito sustentável, muito programada entre todas as partes.”

O secretário de Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, disse que o estado emitirá esse aviso. Porém, o repasse de verba para a contratação do transporte ainda não ocorreu e, por isso, não há previsão para o início da transferência, informou o secretário. Segundo ele, diariamente, entre 30 e 50 haitianos compram suas passagens com recursos próprios e deixam a capital acriana em direção a São Paulo, ao Paraná, a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul. Na rodoviária da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, existem três empresas de ônibus que fazem o trajeto até o Acre. De acordo com funcionários das linhas, que confirmaram que a chegada de grupos de haitianos à capital paulista é freqüente, a maioria dos imigrantes chegam desorientados, sem saber falar português, ou sem ter dinheiro para se manter.

Segundo o padre Parisi, o Serviço Franciscano de Solidariedade planeja levar representantes à rodoviária para ajudar na recepção aos haitianos, orientando para qual abrigo da cidade eles devem ser encaminhados. A prefeitura de São Paulo também informou que funcionários, fluentes em francês e créole (língua falada pela maioria dos haitianos, cerca de 8,5 milhões), ficarão no terminal à disposição dos imigrantes para orientá-los. O padre informou também que, para atender à demanda dos haitianos, serão inaugurados mais dois abrigos. Em junho, foi aberto um abrigo emergencial com capacidade para 50 pessoas, em imóvel da própria igreja, a dois quarteirões do Metrô Armênia. Outro abrigo, com 150 vagas vai funcionar no Pari, região central da capital. A entrada de haitianos no Brasil cresceu a partir de 2010. Segundo o religioso, desde então, 10 mil imigrantes chegaram ao país. Apenas no ano passado, foram 4,68 mil haitianos e, neste ano, a paróquia recebeu 1,4 mil. Geralmente, eles permanecem de dois a três meses nos abrigos, tempo médio para conseguir um emprego.

O padre destacou que, há 110 anos, 10% da população brasileira era composta por imigrantes. Atualmente, o percentual caiu para 1%. “Baixou muito. Muitas vezes, temos a impressão de que o volume seja enorme, por falta de informação. São números pequenos em comparação com outras realidades do mundo. Então, acho que o Brasil tem toda condição de dar uma demonstração de boa acolhida diante desses seres humanos que estão chegando”, afirmou..

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-06/acre-aguarda-liberacao-de-verba-para-enviar-17-mil-haitianos-sp-e