20 de agosto de 2014

O legado da copa

Por José Ricardo Wendling

     Estamos vivenciando a Copa do Mundo da FIFA no Brasil. O brasileiro é apaixonado por futebol. O País é conhecido como a “Pátria de chuteiras”. A seleção brasileira é a única a participar das 19 edições da Copa e ganhou cinco vezes. O futebol mostra a alegria, a criatividade e acolhida do povo brasileiro.
O presidente Lula trabalhou intensamente para que o Brasil pudesse sediar esse evento internacional, por razões econômicas e políticas, mas, sobretudo pelo que o esporte representa para a paz, a fraternidade e a felicidade das nações.
      Mas a Copa exige grandes investimentos e alocação de recursos públicos. Num País onde ainda temos grandes desigualdades sociais, pobreza, analfabetismo, deficiências nos serviços de saúde e educação, embora reduzidos nos últimos 12 anos, muitas pessoas perguntam sobre o legado da Copa e os benefícios para a população.
Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, estima-se que a Copa trouxe a criação e a manutenção de R$ 3,63 milhões de empregos em todo o País. Além disso, a Copa injetou R$ 142 bilhões na economia brasileira, de 2010 a 2014 e adicionou R$ 63,4 bilhões à renda da população nesse período. Somente no turismo estima-se a geração de cerca de 700 mil empregos. São 600 mil turistas estrangeiros e três milhões de brasileiros se movimentando pelo Brasil.
     Com a Copa foram realizados investimentos em infraestrutura e serviços, destacando-se os estádios nas 12 sedes da Copa, obras de mobilidade urbana (transporte público e obras viárias), portos, aeroportos, infraestrutura turística, telecomunicações e segurança.  Coordenados pelo Governo Federal os investimentos somam R$ 25,6 bilhões. Desse montante, R$ 8 bilhões são com reformas e construções de estádios. Na mobilidade urbana e aeroportos foram R$ 14,3 bilhões e quase R$ 2 bilhões com segurança. Nota-se que com estádios o montante é de apenas 30% do total.
       Pelos dados do governo, o Brasil não deixou de investir em saúde e educação, enquanto se preparava para a Copa. Desde 2007 até 2013 os investimentos em educação quase triplicaram e somaram R$ 311,6 bilhões e da saúde dobrou chegando a R$ 447 bilhões.
       Ao serem escolhidas cidades sedes da Copa em todas as regiões do País, estima-se que R$ 112,8 bilhões serão injetados na economia dessas cidades pelo crescimento de setores como construção civil, turismo e comércio, além de dar visibilidade ao rico patrimônio natural e cultural das regiões norte, nordeste e centro-oeste, impulsionando o turismo nacional e internacional.
      E qual o legado em Manaus e no Amazonas?  Dizem que somente ficará a Arena da Amazônia, o estádio que foi projetado por R$ 499 milhões e foi concluída por R$ 669,5 milhões. É provável que o governo repassará a administração da Arena para a iniciativa privada, após a Copa.
      Mas outros investimentos importantes foram realizados. A construção do Estádio da Colina (Ismael Benigno) e o Centro de Treinamento do Coroado (Estádio Carlos Zamith)  somam investimentos de R$ 35 milhões. Com segurança foram investidos R$ 100 milhões no Centro de Comando e Controle Regional da Polícia. O aeroporto estará dobrando a sua capacidade de passageiros com investimentos de R$ 352 milhões.
      Lamentavelmente, investimentos na mobilidade urbana e sistema viário não foram realizados em Manaus, apesar da disponibilidade de R$ 1,6 bilhão para os projetos de monotrilho e do BRT (Bust Rapid Transit), prometidos pelos governantes locais. Perdeu-se uma grande oportunidade. Também a área portuária, com R$ 89 milhões à disposição, nada foi feito.
Serviços de comunicação, internet e telefonia celular, ainda não estão no chamado padrão Fifa, motivo de muita reclamação.
     Há muitas críticas à Copa, algumas tratadas com ênfase por parcela da população, como a isenção de impostos, a favor da Fifa. Porém, tudo indica que o conjunto de investimentos já realizados e o retorno que haverá no futuro próximo em benefício da população é um legado que não pode ser desprezado.
Boa Copa!  Boa sorte seleção brasileira!
 

José Ricardo Wendling é economista e deputado estadual pelo PT

*Publicado na Edição 51 da Revista PIM