28 de maio de 2015

Polo Relojoeiro sente o peso da crise

Por Cristiane Barbosa

Até 1995, o polo relojoeiro chegou a ser considerado o terceiro maior setor do Polo Industrial de Manaus (PIM), em arrecadação, faturamento, produção e geração de empregos. Atualmente, há apenas cinco empresas instaladas no segmento e até final de fevereiro de 2015, o número de empregos gerados pelo polo relojoeiro era de 2.496 postos de trabalho.

Dados mais recentes apresentados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) mostram que o faturamento acumulado nos dois primeiros meses deste ano foi de US$ 49.8 milhões, uma queda de 26,46% em relação à igual período do ano passado, quando os negócios geraram US$ 67.72 milhões. Os registros da Suframa mostram ainda que desde 2011 o segmento vem decrescendo ao longo dos anos. Naquele ano, por exemplo, o faturamento foi de US$ 644.22 milhões, caindo para US$ 624.89 milhões no ano seguinte, US$ 585.14 milhões em 2013 e por fim, US$ 547.46 em 2014. Essa curva regressiva é reflexo dos cenários controversos que impactam desde o principal polo do PIM, como o setor de duas rodas e eletros.

Já em relação ao volume de investimentos, o segmento registrou em 2014, US$ 114.33 milhões, um dos maiores aportes na série histórica desde 2010, quando foram aplicados US$ 53.71 milhões e em 2013 foi da ordem de US$ 50.48 milhões, conforme dados dos indicadores levantados pela autarquia. Na avaliação de especialistas e empresários do setor, as incertezas no cenário interno, este ano, são muito grandes, o que dificulta qualquer previsão para o comportamento da economia brasileira. De acordo com o empresário Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam) e presidente do Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus, as previsões para o segmento não são animadoras. “Pelos resultados registrados no primeiro trimestre deste ano, é bem provável que o desempenho do setor industrial relojoeiro instalado no PIM seja menor que o registrado em 2014”, ponderou.

Porém, o representante empresarial, disse que não podemos deixar de ser otimistas. “Estamos torcendo para que o setor consiga, ao menos, manter os níveis do ano passado. Esperamos que o ajuste fiscal, implementado pelo governo, atinja seus objetivos e que no segundo semestre seja melhor”. O atual momento de recessão na economia brasileira, com inflação alta, juros altos, escassez de crédito, aumento do custo de energia, etc. são os principais fatores que levaram ao decréscimo do volume movimentado no faturamento. “Tudo isso são fatores que influenciam na competitividade dos produtos e impactam na retração da produção, não só da indústria de relógios, mas do setor industrial como um todo do PIM. Isso também tem reflexos negativos nos níveis de emprego”, analisou Azevedo.

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