29 de junho de 2015

Visita brasileira ao EUA busca restaurar confiança e impulsionar a economia

Quase dois anos depois de cancelar uma viagem aos Estados Unidos após denúncias de que havia sido espionada pelo governo americano, a presidente Dilma Rousseff visita o País para tentar restaurar a confiança entre as duas nações e buscar estímulos para a economia brasileira.

 

O governo brasileiro tratou a viagem para os Estados Unidos como a mais importante da presidente em seu segundo mandato. Com popularidade em baixa e enfrentando uma recessão, Dilma priorizou na visita discussões sobre como ampliar os laços econômicos com os Estados Unidos. Ao discursar no evento sobre a visita da presidente Dilma Rousseff, o embaixador brasileiro nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo, só tratou de um assunto: economia. “Há uma forte confiança nos dois países sobre os benefícios em aumentar o comércio e os investimentos bilaterais”, declarou na sede do CSIS (Center for Strategic and International Issues).

Ben Rhodes, assessor do Conselho Nacional de Segurança americano, e Mark Feierstein, diretor sênior da Casa Branca para o Hemisfério Ocidental, afirmaram que o comércio foi um ponto central da visita e que Brasil e Estados Unidos podem dobrar o volume de suas transações em uma década. Atualmente, as trocas somam cerca de US$ 100 bilhões ao ano.

Agenda

A programação da viagem reforçou a ênfase econômica. Em Nova York, primeira parada da presidente, ela se reuniu com empresários brasileiros. Logo depois, tentou convencer investidores americanos a participarem dos leilões que o governo está preparando na área de infraestrutura. Em Washington, ela encerrarou o encontro de empresários na Câmara de Comércio americana e, por fim, se encontrou com executivos do Vale do Silício, na Califórnia. A visita aos Estados Unidos se inseriu numa ofensiva diplomática da presidente e sinalizou uma grande estratégia econômica do governo. No início do mês de Junho, ela viajou à Bélgica para tentar acelerar o acordo de livre comércio que a União Europeia e o Mercosul negociam há 15 anos e, em maio, esteve no México, onde deu início a negociações para um amplo acordo comercial com o país.

Dilma delcara que a nova postura reflete o fim do “superciclo das commodities” (matérias-primas), cujos altos preços na última década alimentaram o crescimento econômico do Brasil. Segundo ela, com os preços das matérias-primas em baixa, para voltar a crescer o Brasil agora terá cada vez mais de atrair investimentos externos e abrir mercados estrangeiros a produtos industrializados brasileiros. Grandes empresas brasileiras e norte-americanas pressionam os governos a começar negociações para um acordo de livre comércio, pôr fim à bitributação de produtos vendidos entre os dois países e eliminar a exigência de vistos de turismo e negócios para brasileiros e americanos.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150625_dilma_visita_eua_pai_jf